terça-feira, 24 de setembro de 2013

Louvado Fado

E quando o mar
cobre toda a nossa costa
olhamos sobre os ombros
e vemos ao nosso largo, o que encosta,

não somos folhas de árvores
caídas no chão
com nenhuma vontade própria
para que nos possam dizer que não.

Somos alguém.
E esse alguém com vontade,
vontades estas que são admiradas por quem...
sabe que a dor também chora quando sabe a verdade.

Ai quem me dera,
que sentisses o que escrevo
e que percebesses o que sinto,
como quando o sol esbate sobre o vento.

Que carnificina esta,
assistida por mim.
Que outrora amado,
agora me vejo no fim...

De explicar-te o que escrevo,
pois se escrevo é porque sinto,
E sinto que lamento
que as coisas tivessem que ficar assim,

Pois só um olhar teu
Uma conversa tua,
Despertara em mim
A memoria da saudade sua.

Saudade esta que mata.
Inferniza-me a alma,
Me rasga o peito
Queimando a ilusão de um dia novamente estar no teu leito.

Fado, triste, fado...
O que será um dia, deste pobre mal amado...
Sem ter a seu lado 
O agradável sofrer louvado.

Sofrimento quente
Que resistia qualquer tempestade,
E se alastrava com a brisa potente
Que ambos sopravam com vontade.

E como todas aquelas cartas,
Que terminavam com ternura e carinho...
Não me despeço com "Amo-te" ou "Beijinho"
Mas com um sorriso na cara de saber que um dia acreditaste em mim e não noutra gente!

Mas temo que esta verdade,
louvada, crua mas santa,
te tirasse liberdade.
Como aquele que pisara qualquer planta

Sem de mim quereres saber
Mantive-me à espera no palanque
E ainda hoje espero para perceber...
Fora este o desejo que pediste à esfera da cartomante?