segunda-feira, 8 de julho de 2013

Rui Unas - Show do Unas - Poema:"Zzzz Zzzz Zzzzz"


Tenho-vos a dizer que tal é soberbo. Jamais se verá e ouvirá algo assim! Fiem-se nas minhas palavras que irão por um bom caminho. Ora vejemos:


Todos os direitos reservados ao autor deste texto e produtor e director do programa Show do Unas


O Texto segue-se assim. Vede primeiro e depois então leio-o. :P

(som do mosquito)

"zzzz zzzzz zzzzz
Não é legenda de BD
Mais o que se ouve
Mas não se vê.

Entre crepúsculos cerramos pestana,
Quando peste alada nos atazana.

Um vil zumbido a meio da noite
castiga mais que na nádega um açoite.

Não sei se é de mel como mosquito
Deixa-me aflito,
Alto, quase grito.

Sinto o bater das suas asinhas,
E enquanto o meu sangue rapinas
Tu merecido sonho assassinas.

Aguardo com inercia que pouses.

Estou paranóico,
Já oiço vozes,


Sinto comichões por todo o corpo
Em suor esperneio como um louco.

E há silencio... por tempo... pouco.


...

Quando o assunto por fim está esquecido
à puta, já me pousaste no ouvido.
Esbracejo e pousas-me na testa,
Acabando com a pouca paciência que me resta,

Da noite o escrutem,
Do sono bruma.


Ganas de arrancar-te as asas uma por uma
A minha derme será a sua tumba.

Esmagar-te-ei corpo e cabeça
Sem que amanheça,
Sem alguma pressa,


Prometo, para mim é mais que certo,
Irritante e miserável insecto.

Mais possesso quando reparo fico,
Que sem aviso me deste um pico.

Infame bicho,
Tu tens mil manhas
sugas-me o sangue das entranhas.
Raios!!!
É já uma questão de honra,

Este acéfalo morrerá, porra.
Vampiro antro-pede de hemofílico,

Aceleras-me o batimento cardíaco,
De raiva, de nervos até ah loucura,
Acendo a luz à tua procura,
nas paredes brancas de todo o quarto,
preparo ambas as mãos para o impacto.

Mas tu és esperta,
Sabes que te mato.

Se a voar ao meu alcance te caço,
Por isso das tréguas de investida.
E não das nenhum sinal de vida.

Apago a luz,
Afago a almofada,
Inspiro...
Suspiro...

Acabou-se.

Quando de novo ao longe zzzz oiço,
Desespero...
Dou chapadas no braço, na perna, no ombro e no cachaço.

Irra, merda o que é que eu faço?
Não estou num circo e sinto-me palhaço?

Recorro a mais esperta evasiva
Praguejo a insurdina:
Expectativa.

Cubro-me com os lençóis só com uma frincha de ar,
Transpiro, até a cabeça incha,

Com os suores lençóis são sudário
A cama o meu atroz calvário,

Puta da melga que desassossega,
E que me ganha nesta refrega.

Será maldito o cabrão do mosquito,
Que tem as minhas veias como fito.


Cansado, desta contenda desisto.
Levanto-me, e vou fazer um programa sobre isto..."



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